
O
Prof. Samuel era, além de humanista ímpar, grande biólogo.
Graças a Deus!
O texto a seguir, escrito e falado ao rádio em agosto de 2002, reflete
suas convicções, a característica mencionada e , principalmente,
a situação por que passava o país em termos energéticos.
Mas devido ao "dinamismo" da nossa economia, o Brasil em poucos
anos tomou novos rumos nesta questão, o que certamente o teria tranqüilizado,
em parte pelo menos.
De fato, os pequenos potencias hidrológicos hoje se chamam Pequenas
Centrais Hidrelétricas, que estão sendo reimplantadas em grande
número, principalmente por não necessitarem de aprovação
ambiental. As termelétricas praticamente não saíram do
papel, pois é difícil convencer alguém a investir em
uma indústria cujo insumo ( gás ) é pago em dólares,
o produto ( eletricidade ) é vendido em reais, a um único cliente
( o governo), que tem o poder de ditar a taxa de câmbio. Álcool
e biodiesel são as estrelas do momento e pasmem, até nossos
geradores de energia eólica estão sendo usados por aqui.
Não é para se pensar, como que algo tão importante como
a matriz energética de um país, que teoricamente deve ser objeto
de exaustivo planejamento a longo prazo, possa mudar tanto em tão pouco
tempo?
Leonardo
Perego Jr.

Samuel
Murgel Branco
ENERGIA LIMPA - (18/08/2002)
Energia limpa
é aquela cuja produção não gera fumaça,
nem resíduos tóxicos. Não produzindo gás carbônico,
também não contribui para o temido efeito estufa, que ameaça
alterar drasticamente o clima e a vida na nossa Terra.
O Brasil se orgulha de gerar energia principalmente a partir da água: graças à posse das maiores reservas fluviais do Globo, nosso país dispõe de possibilidades imensas de geração de energia hidrelétrica. Essas possibilidades estão longe de estar esgotadas, principalmente se pensarmos no aproveitamento de pequenos potenciais localizados, em lugar de gigantescas barragens que acarretam impactos ambientais consideráveis.
Porém, parece que a pressão pelo uso dos combustíveis fósseis se exacerba, em contraste com as preocupações a respeito das catástrofes climáticas. A matriz energética brasileira está sendo profundamente alterada, em favor das termelétricas empregando gás de petróleo e óleo diesel como combustíveis, com a implantação das 49 usinas que o governo pretende realizar até o próximo ano, para gerar 16 mil Megawatts (duas vezes a potência de Tucuruí; quase uma vez e meia a de Itaipu). Quanto aos carros a álcool, já não se fala mais nisso... Parece que temos que dar a nossa contribuição para o Efeito Estufa, para sermos considerados "civilizados"!
No entanto, além do potencial hídrico que falta explorar e de outras possibilidades limpas inexploradas, como a energia dos ventos, ou a solar, dispomos de combustíveis "recicláveis", como o álcool e subprodutos da cana de açúcar e substitutos para o diesel como o álcool aditivado, os óleos vegetais de soja, babaçu, dendê e outros. Ou ainda o hidrogênio.
Sabia que o Brasil possui uma indústria de sofisticados geradores de energia eólica, os quais são quase totalmente exportados, por não haver mercado interno para o produto?
Importamos fumaça
e exportamos tecnologia limpa!